Porque trocam a Força e a Justiça?

(...) mas porque a carta Justiça troca com a Força em alguns baralhos?

Julieta Reis de Olhão

 

Esta é daquelas perguntas que amadores de tarot ou recentes alunos me dirigem com imensa frequência. Habitualmente, por uma questão de tempo de discussão não entro na controvérsia até porque, no caso de alunos, este é obviamente um dos temas abordados no Curso de Tarosofia.

Tenho alguns amigos e colegas que utilizam baralhos onde a carta Força está numerada como arcano 11 e a carta Justiça numerada como 8. Aliás, eu possuo para mais de uma dúzia de baralhos que possuem esta característica que em tarosofia chamamos seguir o Padrão Marseille-Thoth.

Mas então porquê toda esta confusão?

Os primeiros baralhos públicos impressos eram pintados à mão na Itália do século XV, como por exemplo os de Visconti-Sforza ou de Bonifacio Bembo. Nesta época nenhum arcano possuía qualquer número e mais tarde algumas cópias passaram a introduzir numerações que em nada concordam com as dos dias de hoje e até os nomes variam imenso dando-se primazia a nomes de natureza católica para que a igreja não levantasse problemas.

Marseilles-Majors-1É com o Tarot de Marselha, que vem imitar as tábuas de Payen 3 séculos mais tarde, que as cartas ganham a sua ordenação seguindo ensinamentos místicos e esotéricos que partem de escolas de mistérios semi-secretas.

Os registos apontam para longas reuniões tidas por Arthur Edward Waite, Paul Foster Case e Aleister Crowley que ponderavam o equilíbrio dos arquétipos no tarot e na sua génese e interdisciplinaridade. Embora mais tarde Crowley viesse a voltar atrás por influência de Frieda Harris e de um ódio de estimação a Pamela Colman-Smith e Edward Waite, todos concordaram que na análise cabalística e astrológica a posição 8 se refere RWS-Majors-1ao signo e influência de Leão e a posição 11 cai indubitavelmente sobre Balança e assim faria todo o sentido que a Força (representada por uma mulher e um leão) estivesse na posição 8 e a Justiça (mulher com uma espada e uma balança) se colocasse na casa 11. A análise da troca levou à descoberta de um sem número de sincronicidades e assim ficou estabelecido que esta era uma troca necessária, senão obrigatória. As razões são tantas que não vou de todo discriminar aqui.

Se necessário fosse procurar o que estaria correcto, eu sem dúvida alguma afirmaria que o Padrão Rider-Waite-Smith deveria ser o padrão escolhido por questões de interdisciplinariedade astrológica, cabalística e alquímica negando por completo os caprichos de um Aleister Crowley que parece não querer que o conhecimento saia para o público em geral sabotando o tarot só porque deixou de ser o senhor do seu feudo.

É um tema controverso e como conselho digo apenas que devem escolher o baralho que ‘conversa’ melhor convosco…

 

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