Ler Tarot é um dom?

Disseram-me que o tarot é um dom com que se nasce e que não pode ser aprendido como se aprende astrologia. Isto é verdade?

Marta Correia de Mondim

 

NÃO, de todo! Esse é um dos mitos que está a demorar para sair da comunidade instituída e dos ‘ghettos‘ tarosóficos, mais por conveniência e showoff do que outra coisa.

Imagine o Tarot como uma cozinha… Todos, sem excepção são capazes de cozinhar, e se não sabem aprendem! Com maior ou menor destreza, com maior ou menor tacto, com maior ou menor paixão, todos são capazes de confeccionar um prato ou um bolo. Todavia, existem os bons chefs, que parecem ter uma vocação inata e os chefs dedicados que estudam sem fim para atingirem os seus objectivos de confecção.

É frequente explicar que existem três aproximações funcionais e diferentes ao Tarot: a vertente do estudioso, a vertente do intuitivo e a vertente do iniciado. Claro que por esse mundo fora encontram-se outras vertentes, como a ‘madame zurra’ que lê o futuro, o ‘professor xoné’ que assusta quem o consulta e o ‘mestre dos anjos’ que compõe toda uma cena teatral à volta das cartas, mas não considere estes para a minha resposta pois são uma espécie de cozinheiros da McDonalds do mundo do tarot, e já deve saber que a fastfood faz mal. Ao longo da minha vida já encontrei um bom número de pessoas capazes de utilizar correcta e responsavelmente o Tarot e cada um utilizava uma vertente ou uma mescla das vertentes funcionais que falei. Há-os muito bons que dependem do lado intuitivo e da ligação da tríade energética, mas há-os igualmente bons e aconselháveis que vivem tarosoficamente do que aprenderam sem ter de dar lugar à alegada mediunidade. Acima de tudo o bom tarólogo é um tarósofo, ou seja, possui uma diferente forma de vida face ao tarot e raramente vai na senda da influência das modas e médias. É um investigador esotérico, do conhecimento dito oculto, e não se considera um expert ou um supra-sumo capaz de curar até unhas encravadas com as cartas. No meu caso pessoal, e a título de exemplo apenas, utilizo um pouco das 3 vertentes funcionais que falei, mas durante os últimos 28 anos de estudo de tarot passei com maior ou menor intensidade por cada uma delas e muitas vezes em detrimento de outra. Assim, não é preciso ter um dom especial para ler tarot.

É preciso ter-se verdadeiramente uma filosofia diferente de vida, ter vontade e empenho! Tudo o resto é apenas a diferença que distingue uns dos outros…  

 

8 comentários

  1. |

    o autor deste artigo tem uma visão dogmática do tarot como se fosse uma arte que assentasse numa verdade cientifica, e por isso mesmo que impõe ao objecto determinadas categorias conceptuais afim de construir uma verdade acerca desse objecto. Ora o Tarot não é uma ciência, é muito mais do que isso e é uma arte que ao contrário da ciência não assenta numa concepção da verdade como correspondência entre o sujeito e o objecto, mas numa concepção de verdade como descoberta, como revelação, na qual o sujeito deixa que o objecto se revele ao invés de lhe atribuir determinadas categorias conceptuais. Para tal o tarólogo procura interpretar determinados sinais no objecto para que este revele a sua verdade por si próprio.

    • |

      Obrigado pela sua opinião marisa gomes. Em lado algum poderá encontrar a ideia absurda de que me considero detentor de uma verdade absoluta, aliás a resposta acima mostra exactamente o contrário daquilo de que me acusa. Se há algo que a visão acima demonstra, que espelha obviamente o que sigo na vida e profissionalmente, é que não existe dogmatismo deste lado. Todavia ao ler a sua explicação consigo encontrar imensos indicadores de crença arreigada que , essa sim, é conceptualmente dogmática.
      Não pretendo agradar a gregos e a troianos e publicamos o autor para demonstrar que se trata de uma opinião (neste caso em resposta a uma pergunta frequente)… assim, parece que concordamos em discordar.

  2. |

    Concordo plenamente, e ponto. Eu penso, e vivencio isso da forma mais negativa possível, porque há no “mercado” -Porque tem pessoas que vivem de tarô- tarólogos que acham que tem propriedade sobre o tarot, enquanto oráculo.

    Mas, tudo que elas tem é domínio sobre a ou as técnicas, em primeiro lugar. E depois, toda a gama de experimentação que o tarot lhes proporcionou ao longo dos jogos. Costumo dizer, repetindo Paulo Freire, que não há saber mais ou saber menos, existem saberes diferentes. Então, nesse ponto concordo que, qualquer um pode jogar tarô. Uns farão mais outros menos, mas todos farão! E o que determina a continuação nessa jornada é a vontade pessoal. Me uso como exemplo de que, o tarot pra mim é uma bussola pessoal, e em paralelo a isso, guio a outras pessoas. Então, além do domínio das técnicas e aquela interrogação que nos surge em “Porque o tarô é tão eficaz?”, eu busco sempre, traços esotéricos, e porque não, mediúnicos, já que há essa possibilidade. Alan Kardec ensina no Livro dos médiuns, que todo nós somo médiuns. Porque será que qualquer um pode ler tarô então? -Eis a questão 😉

    Super concordo, e peço a permissão para compartilhar o artigo, com os devidos créditos, em minha time line.

    Abraços!

    • |

      Permissão mais do que dada… partilhe e divulgue estes e outros K.Salvador 🙂

  3. |

    Como experiencia pessoal, acho que para ler o Tarot é preciso ter uma intuição bastante apurada (mediunidade ou não isso fica ao critério de cada um). Uma leitura de Tarot só baseada no significado restrito das cartas, é uma leitura fria e sem visão, até me arrisco a dizer que se perde a “magia” do Tarot.
    Todas as pessoas podem aprender Tarot? sim, todas podem! Mas todas as pessoas também podem aprender a cantar, agora se cantam bem… Queiram ou não para ler o tarot é preciso que as cartas “falem” connosco, elas tem que nos transmitir alguma informação, e não só a informação decorada do significado que aprendemos sobre elas e é ai que entra a nossa intuição. Esta é a minha visão sobre o tarot, ou se tem ou não se tem, aquele pequeno dom para receber o que as cartas nos falam.
    Obrigado pelo vosso excelente site.

    • |

      Concordamos em tudo Jorge Santos 🙂 Claro que intuição é algo necessário e mandatório, mas a intuição abre-se e treina-se.
      Infelizmente na sociedade em que vivemos tudo o que é inexplicável é explicado com dons de natureza divina e coisas semelhantes, porém esta visão reducionista dos dons e coisas estranhas com que se nasce só contribui para cavar um fosso entre a realidade e o mito.
      Obrigado nós por estar desse lado.

  4. |

    Mário Portela, lembrar que na verdade todos somos UM, todos nós temos temos o poder divino. Todos nós somos seres muito além do que muita gente pensa, depende no mundo onde vivem, a ilusão de tudo aquilo que o homem transmite de forma errada através do ego, somos na realidade escravos do homem, vivemos à imagem do homem tal como a sociedade é, Lembrar que todos temos o nosso livre arbítrio , o que aconteceu no passado, acontece no agora em uma era diferente, lembrar que o tarot já vem muito muito atrás. Outro assunto muito interessante é tudo o que vivemos agora, só para se ter uma vida melhor na vida material só para alguns, pq a verdadeira felicidade chama-se amor, sem ele ninguém é nada, tudo o que é matéria fica. Qual é mesmo o nosso objectivo aqui na terra? Eu Sou o espírito da verdade, Eu sou a árvore da vida, Eu sou o que carrego o livro da vida, Eu sou a luz. O tarot devia servir de ferramenta para ajudar o próximo de uma forma correcta e não criar duvidas, serão os poucos que se dedicam à caridade, ao amor, pq aquele que seguir esse caminho a recompensa é em dobro. Esta é a verdade.

    • |

      Não falamos de coisas diferentes Nelson Marques, usamos sim vocábulos antagónicos com maior ou menor dogma agregado. No entanto, em lado algum me considero detentor da verdade ou uso palavras messiânicas para parecer que o que digo é divino 🙂

Deixar um comentário