A JUSTIÇA, décimo primeiro Arcano Maior

A Lâmina

Chamam-lhe Justiça (Justice), Ajustamento ou Virtude em vários e diferentes baralhos. l

A Justiça, o décimo primeiro arcano maior do tarot, é representada por uma mulher, sentada no seu cadeirão, com a balança da igualdade e imparcialidade numa mão e a espada da decisão na outra. A Justiça aponta para uma experiência limite que nos relembra para a existência de algo maior que nós mesmos, remetendo-nos para a questão do equilíbrio divino.

Em semelhança com o Imperador, a Justiça representa a ordem universal, quer na sua estrutura subjacente quer na acção do Karma, isto é, a causa e o efeito, respectivamente.

A representação da Justiça como uma mulher com balança e espada (ou livro) data provavelmente de um período remoto da arte romana. Durante a primeira parte da Idade Média, espada e balança passaram a ser atributos do Arcanjo Miguel, comummente designado por Micael ou São Miguel, que parece ter herdado as funções do Osíris subterrâneo, o pesador de almas. Mais tarde estes elementos passam para as mãos da impassível dama, da qual há figurações relativamente antigas na arte medieval: um alto-relevo da catedral de Bamberg, datado de 1237, a representa deste modo. Tudo indica que a iconografia do Arcano XI (ou VIII em algumas versões) seguiu com bastante fidelidade a tradição artística.

A espada e a balança são, para Aristóteles, os elementos representativos da justiça: a primeira porque se refere à sua capacidade distributiva; a segunda, à sua missão equilibradora. Ao contrário das alegorias inspiradas na Têmis grega, a Justiça do Tarot de Waite não tem venda sobre os olhos embora em muitos outros a tenha.

É comum relacionar este arcano ao signo zodiacal de Libra. Ele representa, como aquele, nem tanto a justiça exterior ou a legalidade social, mas sim a função interior justiceira que põe em movimento todo um processo psíquico (ou psicossomático) para determinar o castigo do culpado, partindo já da ideia de que “a culpa não é, em si, diferente do castigo”.

 

A Manifestação

É chegada a altura d’ O Louco assumir a responsabilidade pelas suas acções passadas e de tomar as devidas decisões, de um modo imparcial, para que possa continuar com a sua jornada.

A Justiça remete para o equilíbrio divino, para uma vida justa e imparcial. Representa a consciência de que todas as decisões e acções têm consequências a longo prazo, sendo certo que o resultado final será aquele consequente às decisões e acções do passado. Não obstante, a Justiça mostra que acções futuras podem ser alteradas pela lição aprendida destas mesmas situações.

Reflecte ainda uma busca incessante pela verdade. Ser justo e verdadeiro com todos que o rodeiam, para que se possa perceber a desonestidade em si nos outros.

Esta lâmina pode ainda indicar que é chegado o momento de tomar decisões importantes. Focar-se, dar atenção e meditar de forma a encontrar uma solução, sendo por isso um momento importante para “ouvir” a sua consciência e tomar assim a decisão certa.

A Justiça, em última análise, pode ainda representar uma série de questões jurídicas. É de esperar um desfecho no qual a justiça será feita. Pelo lado negativo, ao agir de forma incorrecta, pode estar ciente de que a justiça irá prevalecer e terá que assumir a responsabilidade pelas acções tomadas.

 

As significâncias e simbologias

Assim como na lâmina Mago, a posição dos braços expressam o Princípio Hermético: “O que está em cima é como o que está em baixo”.

A balança simboliza o equilíbrio entre o plano material e o emocional, enquanto a espada, ao ser de dois gumes, remete-nos para a imparcialidade do julgamento. A túnica vermelha denota o controlo das emoções de uma forma consciente.
O manto verde e amarelado para a naturalidade e o crescimento, avisando contra a imaturidade. Mais do que uma mera decoração, as três filas da coroa e a jóia abaixo destas são um jogo entre o mundo espiritual e o material.
A jóia é uma clara alusão ao terceiro olho (como na lâmina Dois de Espadas) e representa a intuição superior e a capacidade de resolução de situações contraditórias.

O cinza é a cor da neutralidade e tolerância, mas por outro lado também é a cor da indiferença e da falta de consciência, assim sendo, o chão e as colunas a cinza alertam para o perigo da fossilização e para a oportunidade de alcançar a sustentabilidade.

No espectro de cores, a violeta é a que se encontra mais próxima da radiação invisível. A espada estende-se além da cortina violeta, sendo um sinal de sensibilidade e de que esta é absolutamente necessária. Ao redor da cortina violeta, temos um fundo a amarelo. Este fundo, de um modo negativo, pode simbolizar que a consciência é obscurecida pelas regras e regulamentos, no entanto, está também a lembrar que a inveja, a ilusão e a ganância podem ser contidas por estas mesmas regras e regulamentos.

  • Justiça
  •  Legalidade
  • Verdade
  • Causa e efeito
  • Lei
  • Karma
  • Injustiça
  • Falta de coerência
  • Desonestidade
  • Crime

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Seleccione para significados específicos:

Como carta do dia!

Descubra quais são as necessidades de todos. Seja imparcial!

Como Prognóstico!

As nossas experiências rapidamente podem-se transformar em julgamentos. Julgamentos esses que achamos ser experiências. No entanto, estes não são tão fiáveis quanto as nossas experiências. Assim sendo, é preciso manter as experiências frescas de modo a aprender novos juízos.

Como análise amorosa!

Tente ser justo em todos os seus relacionamentos.

Como um evento!

Provavelmente uma situação de foro legal ou de avaliação está perto e deverá ser conduzido com o máximo de imparcialidade.

Como aviso!

Reflicta antes de tomar uma decisão, para que esta possa ser justa.

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