A Lemniscata (Simbologia Tarósofa)

Infinito (do latim infinitu, símbolo: ∞) é um adjectivo que denota algo que não tem início nem fim, ou não tem limites, ou que é inumerável. É também um nome que representa o que não tem limites. Usado em sentido figurado pode significar Deus, o Absoluto ou o Eterno.

É um conceito usado em vários campos, como a matemática, filosofia e a teologia. É representado com o símbolo ∞, também chamado de lemniscata, e na matemática é uma noção quase-numérica usada em proposições. Para um filósofo é algo que tem a ver com a eternidade e a divindade. Mas é na matemática que o conceito tem as suas raízes mais profundas, sendo a disciplina que mais contribuiu para a sua compreensão.

 

 

Lemniscata e o Infinito

A Lemniscata de Bernoulli é a curva algébrica do quarto grau de uma equação cartesiana e tem a forma similar ao numeral 8 deitado ou o símbolo de infinito (∞).

A lemniscata foi descrita primeiramente por Jakob Bernoulli em 1694 como uma modificação da elipse, que é o lugar geométrico de pontos para qual a soma das distâncias para cada um de dois focos fixos é uma constante. A Oval de Cassini, por sua vez, é o lugar de pontos para os quais o produto destas distâncias é constante. No caso onde a curva atravessa o ponto no meio caminho entre os focos, a oval é uma Lemniscata de Bernoulli. Bernoulli chamou isto de lemniscus que em latim significa “faixa suspensa”. A lemniscata pode ser obtida como o inverso geométrico de uma hipérbole, com o círculo de inversão centrado no centro da hipérbole (bissetriz de seus dois focos).

A imagem é conhecida desde a Antiguidade, já o nome não. Lemniscata é então o famoso “oito deitado”, tido como um símbolo do infinito. A razão dessa curva geométrica especial assumir tal significado é o seu traço, contínuo, uma forma sem começo nem fim… Adoptada por diversas linhas espirituais, ela simboliza, para os rosacrucianos, a evolução quando observada de dois lados: o físico e o espiritual. Um dos anéis de lemniscata é a jornada do nascimento à morte, o outro da morte ao novo nascimento. O ponto central é considerado o portal entre os dois mundos. Na antroposofia (filosofia espiritual sistematizada pelo austriáco Rudolf Steiner no século XIX), a lemniscata ocupa um papel central porque representa o equilíbrio dinâmico, perfeito e rítmico do corpo. A forma geométrica da lemniscata é a base de muitos processos antroposóficos: desde a dinamização de medicamentos até a criação de estruturas arquitectónicas, movimentos da euritmia, desenhos da terapia artística, etc.

Carl Gustav Jung, refere-se a este símbolo como o “Mysterium Conjuctionis” (Mistério da Conjunção), resultado do “Hieroghamos” (Casamento Sagrado), equilíbrio do Masculino e do Feminino Universais, essência fundamental da mente humana e, numa visão mais ampla, da existência humana em si.

Ainda podemos observar a lemniscata nas curvas do Caduceus (o cetro da dupla serpente), símbolo da Medicina e manisfestação de Hermes; nos meridianos do fluir da Energia Vital descritos pelas medicinas tradicionais hindu e chinesa e pela Acupuntura. A lemniscata repete-se no próprio movimento das galáxias, das estrelas e dos planetas, na Astronomia e na Astrofísica estando presente na dupla hélice do DNA de cada um e todos os seres vivos deste planeta.

Verificamos a formação de lemniscatas nos movimentos pendulares observados na Física; na báscula do andar humano; no crescimento dos vegetais e na disposição de suas flores e folhas ao seguirem a proporção áurea; nos movimentos de regência da musica; no movimento do Tao; em emblemas e símbolos de famílias tradicionais japonesas, em mandalas de diversas origens e épocas e, de forma abstracta, nos ciclos da Natureza e no equilíbrio psíquico entre o Pensar e o Querer, dando origem ao Sentir.

A lemniscata tem significado milenar, representando o equilíbrio dinâmico, perfeito e rítmico entre os pólos opostos constitucionais do corpo humano: o pólo metabólico e o pólo neuro-sensorial. O hermetismo conta-nos que o pólo metabólico (zona abdominal) é quente, húmido, expansivo e inconsciente e o pólo neuro-sensorial (cabeça, sistema nervoso central e órgãos sensoriais) é frio, seco, contraído e consciente. Do equilíbrio deste dipolo, surge a vida humana na sua manifestação mais primordial e uma das principais leis herméticas: o ritmo. A lemniscata representa então o sistema rítmico (coração, pulmões e musculatura do tórax) que proporciona os sinais vitais mais básicos, equilíbrio físico e psíquico e harmoniza as essências opostas que nos compõem.

 

Simbologia Tarosófica

No tarot, a lemniscata aparece visivelmente em quatro cartas: ela flutua acima das cabeças do Mago e da Força, une os ramos vitoriosos do Mundo e equilibra-se entre as mãos de dois de ouros. A lemniscata simboliza o ritmo, a respiração e a circulação (o desenho tem claramente dois ciclos). Ela é então o símbolo do ritmo eterno, ou da eternidade do ritmo, e sinaliza, no Tarot, o conhecimento desse segredo. Traçar a lemniscata no ar com varetas de incenso é indicado para harmonizar a energia de pessoas e ambientes sendo também um costume ritualista de muitos tarósofos alinhados com o Ar.

Invariavelmente, as palavras de ordem são: EQUILÍBRIORITMODINAMISMOLIGAÇÃO AO INFINITOPENSAMENTO e CONSCIÊNCIA. O símbolo da lemniscata remete-nos ainda ao Arcano Maior do Tarot de número XIV: “A Temperança”, onde vemos um anjo que mistura e equilibra, através de sucessivas misturas, dois jarros que contém água: um com água fria, outro com água quente. Conforme as sucessivas passagens de fluidos de um jarro a outro, e deste de volta ao primeiro, processam-se, e se obtém o elemento morno (temperado). Esta carta corresponde à letra hebraica “Nun” na Cabalah em tudo ligada à simbologia inerente da lemniscata.

A energia não é criada ou destruída, é transmutada e imortal. Quando a lemniscata nos salta à atenção durante uma tiragem provavelmente carrega para nós a mensagem de considerar as consequências dos nossos pensamentos e acções, já que os efeitos são infinitos!

Tenham uma tiragem infinitamente ponderada!  

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