A Jornada do Louco

Sobre a Jornada e os Arcanos Maiores

Os Arcanos Maiores são muitas vezes considerados como uma unidade de sentido; muitos tarólogos e interessados, mostram padrões nestas lâminas que representam e iluminam a condição humana e seus arquétipos vivenciais dentro delas.

Muitos daqueles que interpretam e estudam estes arcanos afirmam que estes representam diferentes fases da viagem de crescimento espiritual que cada indivíduo atravessa. Muitos chamam-na de “A Jornada do Louco”. Neste sentido, cada lâmina convém uma qualidade ou experiência necessária a adquirir para podermos prosseguir a caminhada e completar o nosso ser interior. Todos nós estamos nesta jornada, que, apesar de ter as suas próprias estradas, cruzamentos e obstáculos, passa pelos postos de referência. Os 22 Arcanos maiores são marcos neste caminho de desenvolvimento espiritual, desde o primeiro acordar (lâmina 0, o Louco) até à integração da aprendizagem e o ‘término’ da jornada (lâmina 21, o Mundo).

A Jornada do Louco parece transformar-se de forma ligeira de uma experiência para a próxima, mas as nossas próprias viagens não são normalmente tão cautelosas e suaves. Nós cometemos erros, saltamos lições e somos incapazes de concretizar todo o nosso potencial. Muitas vezes, não reunimos a coragem e introspecção necessárias para atingir os nossos níveis de consciência mais profundos para compreender a aprendizagem que vivemos. Alguns nunca irão encontrar o Eremita para procurarem o seu interior; outros nunca viveram a crise caótica da Torre, que os libertará dos mecanismos de defesa do Ego.

Mas, mesmo aqueles que activamente caminham esta jornada, por muito que tentem ultrapassar os obstáculos no caminho, falham vezes sem conta. Esta é uma lição do Pendurado – a abdicação do poder e submissão à experiência – é particularmente dura e pode ser necessário experienciarmo-la uma e outra vez, antes de sermos capazes de a integrar na sua totalidade.

É mais comum, vivermos estas experiência numa ordem desorganizada, ao contrário da transição definida e organizada de uma Arcano Maior para o outro. Uns adquirem as qualidades da Força numa idade jovem, principalmente aqueles com uma infância conturbada; mas podem só desenvolver mais tarde na vida o controlo e o domínio do Carro. Outros podem ultrapassar a tentação do materialismo, oferecida pelo Diabo, através de uma vida de retiro da sociedade, mas necessitam de entender as relações e sexualidade humanas, representada nos Enamorados, numa fase mais tarde da vida. Estas 22 lâminas estruturam-se em vários níveis e módulos de experiência; contêm os padrões de crescimento interior, quer aconteçam num curto período de tempo, quer ao longo da vida toda. No final das contas, cada uma das nossas vidas neste planeta, numa escala maior, é um episódio único e contínuo de desenvolvimento interior do nosso espírito imortal.

Independentemente do nosso projecto individual de auto-descoberta, os Arcanos Maiores mostram-nos que a completação do ciclo e cumprimento do nosso propósito são o objectivo final de cada vida humana.

A JORNADA DO LOUCO

Começamos com o Louco (lâmina 0), a carta de inícios. O Louco representa cada um de nós no início da jornada: é louco e ingénuo, porque só um espírito tão simples seria capaz de albergar tal fé inocente para tomar de braços abertos uma jornada tão coberta de perigos e dor.
No início, o Louco é apenas um recém-chegado – jovem, aberto e espontâneo. A figura nesta lâmina retrata um jovem rapaz de braços abertos e cabeça erguida. Está preparado para abarcar tudo o que lhe apareça pela frente; no entanto, está inconsciente do precipício que tem pela frente. Assim sendo, o Louco ignora as dificuldades que enfrentará no seu caminho, enquanto procura e vivencia as aventuras do mundo.

Esta personagem de certa forma destaca-se dos outros Arcanos Maiores. Zero é um número pouco comum. É o algarismo no centro dos dois opostos do sistema numérico – o positivo e o negativo; na sua origem, o Louco encontra-se no centro do seu próprio Universo. É estranhamente desprovido de qualquer sentido ou experiência, é vazio (como o Zero), mas está desejoso de começar o seu caminho e a sua aprendizagem. Esta vontade quase que parece ser um acto de loucura, certo?

Logo à partida, o Louco depara-se com o Mago (lâmina 1) e a Sacerdotisa (lâmina 2) – as duas grandes forças que estruturam o mundo percepcionado. Ao nomearmos um aspecto da experiência humana, no nosso mundo físico, acabamos por evocar o seu oposto.

O Mago é o lado positivo; personifica o activo, o poder masculino do impulso criativo. Representa também o consciente desperto. Esta figura é a ímpeto que nos permite deixar marcas no mundo, através da concentração da nossa motivação e força individual. Opostamente, a Sacerdotisa é o lado negativo; é o subconsciente misterioso. Esta personagem fornece o solo fértil, onde poderá florescer a criatividade. Incorpora também o nosso potencial dormente, que espera um estímulo activo para se concretizar. Tendo isto em conta, os termos positivo e negativo não representam o “Bem” e o “Mal”; são simplesmente os dois lados complementares de uma moeda. O Mago e a Sacerdotisa são equivalentes em valor e importância, sendo que cada um é fulcral para nivelar os pratos da balança. O lado negativo representa apenas o nosso lado escondido, por descobrir; sem matéria prima por estrear, não conseguiríamos criar.

Conforme avança, o Louco torna-se mais e mais consciente do que o rodeia e, como a maioria dos bebés, a primeira pessoa que reconhece é a sua Mãe – mulher quente e carinhosa que o cuida e protege. Também se apercebe da Mãe Natureza, que o nutre num sentido mais amplo. A Imperatriz (lâmina 3) representa a Natureza e o mundo sensitivo. Uma criança tão jovem rejubila e tem curiosidade em explorar tudo o que consegue tocar, cheirar e provar; o bebé anseia a estimulação dos seus sentidos, pelo o que vê e ouve. É um processo natural, examinar toda a abundante Natureza que nos envolve e suporta.

A próxima figura que o Louco encontra é o Pai – encarnado no Imperador (lâmina 4). Esta personagem representa estrutura e autoridade. Quando a criança abandona o abraço da Mãe, aprende que existem princípios e padrões no mundo: os objectos respondem ao mundo de maneiras previsíveis, algo que pode ser estudado e explorado. O pequeno infante descobre novas formas de descobrir o mundo, dentro de uma ordem universal. O Louco também encontra regras – aprende que a sua vontade nem sempre é prioritária e que há certos comportamentos necessários a cumprir para o seu bem-estar. Começa a entender que há pessoas com autoridade para impor essas mesmas normas. Estas restrições podem ser frustrantes, mas, com a mão paciente e orientadora do Pai, o Louco começa a compreender o seu propósito.

Eventualmente, o Louco abandonará a sua casa e se aventurará pelo mundo desconhecido. Será então exposto às tradições e crenças do seu povo e sua cultura, onde começará a sua educação formal. O Hierofante (lâmina 5) representa os sistemas de credo organizados, que o começam a rodear e a moldar o conhecimento da criança. Esta personagem é alguém que desempenha um papel essencial no conhecimento e mistérios dos arcanos. Nesta lâmina, observa-se uma figura religiosa a abençoar dois acólitos; possivelmente, estará a iniciá-los como membros da Igreja. Apesar de ter uma conotação religiosa, esta lâmina é simbólica de iniciações de qualquer foro.
A criança é treinada nas práticas da sua sociedade e tornar-se-á parte dessa cultura e perspectiva do mundo, em particular. Aprende a identificar-se com um grupo e descobre um sentido de integração e pertença, dentro desse. Esta aprendizagem dos costumes sociais e da forma como se vai adaptando e conformando neles é-lhe aprazível.

Inevitavelmente, o Louco encontra dois novos desafios. Primeiro, debate-se com o forte desejo de união sexual com outra pessoa, enquanto que antes era maioritariamente um ser egocêntrico. Mas agora, sente uma propensão para o equilíbrio, retratada nos Enamorados (lâmina 6), uma necessidade sôfrega de procurar e tornar-se parte de um todo numa relação amorosa.
O Louco deve também decidir sobre as suas próprias crenças. Pois, sendo necessário e suficiente conformar-se com a visão dos outros enquanto aprende e cresce, agora é imperioso determinar os próprios valores e, assim, descobrir o próprio carácter. Neste momento, o jovem começa questionar a opinião alheia.

Quando se torna num adulto, o Louco têm já uma identidade estabelecida e um certo domínio sobre ele mesmo. Com disciplina e força de vontade, desenvolveu o controlo interior que o permite desafiar e conquistar o seu ambiente circundante. O Carro (lâmina 7) representa o ego vigoroso que o Louco alcançou na sua jornada até este instante. Nesta imagem, vemos uma figura em poder, orgulhosa conduzindo-se pelo seu próprio mundo, estando em absoluto controlo sobre si mesmo e todos os seus caminhos. Neste momento, o sucesso assertivo do Louco é tudo o que ele poderia desejar e por isso, sente uma certa satisfação consigo mesmo. Ele personifica a confiança assegurada da Juventude.

Com o passar do tempo, a Vida presenteia o Louco com novos desafios, alguns sendo causa de sofrimento e desilusões. Em muitos momentos, terá de recorrer às características da Força (lâmina 8), ao ser pressionado para desenvolver a sua coragem e determinação e encontrar a chama para continuar, mesmo com os obstáculos defrontados. Agora, o Louco descobre também as qualidades silenciosas da paciência e tolerância, apercebendo-se que o comando voluntarioso do Carro deve ser contrabalançado com gentileza e suavidade do poder de uma abordagem mais afectuosa. Em certas ocasiões, intensas paixões internas virão à superfície, quando o Louco pensava que tinha tudo sobre controlo, incluindo si próprio.

Eventualmente, o Louco é levado a questionar-se a questão milenar “Porquê?”. Torna-se absorto na procura imparável pelas respostas, não devido a uma curiosidade passiva mas devido a uma necessidade profunda do ser em descobrir porque é que as pessoas vivem, se acabam só por sofrer e eventualmente morrer. O Eremita (lâmina 9) simboliza esta ânsia de encontrar uma verdade mais íntima. O Louco explorará dentro de si mesmo, tentando entender os seus próprios sentimentos e motivações. O mundo voluptuoso torna-se-lhe menos atractivo e procura então momentos de solitude, longe da actividade frenética da sociedade. Com o tempo, ele irá em busca um professor ou guia que lhe forneça aconselhamento e direcção.

Depois de uma viagem espiritual, o Louco começa a aperceber-se de como tudo está interligado. Adquire uma visão do design maravilhoso do Mundo, todos os seus padrões e ciclos naturais. A Roda da Fortuna (lâmina 10) é o símbolo do Universo misterioso, cujas peças funcionam em conjunto e em harmonia. Quando o Louco vislumbra a beleza e ordem do Mundo, mesmo que só por instantes, ele consegue encontrar algumas das respostas que procura. Por vezes, as suas experiências parecem ser obra do Destino; um encontro fortuito ou uma ocorrência milagrosa começa o processo de mudança. O Louco até pode reconhecer o seu destino na sequência de eventos que o levam a este ponto de viragem. Tendo sido tão solitário, sente-se pronto para movimento e acção outra vez. Agora a sua perspectiva é mais ampla e vê-se a si mesmo dentro do plano maior do Universo. O seu sentido de propósito é restaurado.

O Louco precisa agora de decidir o que esta nova perspectiva significa para si, pessoalmente. Olha então para a sua vida passada, tentando desvendar os relacionamentos causa-efeito que o trouxeram até este ponto. Ele toma total responsabilidade pelas suas acções passadas, de modo que as possa compensar e garantir um caminho mais honesto no futuro. A exigência de Justiça (lâmina 11) deve ser cumprida para conseguir voltar à estaca zero.
É uma altura de decisões para o Louco, pois está a fazer escolhas importantes. Será que se manterá fiel ao seu discernimento ou voltará a cair numa existência fácil e inconsciente que impedirá um crescimento futuro?

Destemido, o Louco persiste na sua jornada. Está decidido a realizar a sua visão, mas lentamente apercebe-se de que a vida não é tão facilmente domada. Mais cedo ou mais tarde, encontrará a sua própria cruz – uma experiência aparentemente difícil de suportar. Este desafio torna-o mais humilde, ao ponto de não ter mais alternativa senão desistir e deixar-se ir. No início, o Louco sente-se derrotado e perdido, acreditando que se sacrificou, mas a partir do seu interior, aprende uma verdade maravilhosa. Ele descobre que, quando abdica da sua luta por controlo, tudo toma o sítio que lhe é devido. Ao se tornar aberto e vulnerável à Vida, descobre o apoio extraordinário do seu Eu Interior; aprende a render-se às suas experiências, em vez de resistir contra elas. Ele sente uma alegria surpreendente e começa a ir com o fluxo da Vida.
O Louco sente-se suspenso num momento sem tempo, livre da sensação de urgência e pressão. Em boa verdade, o seu mundo foi virado de pernas para o ar. O Louco é o Pendurado (lâmina 12): aparentemente martirizado, encontra-se, na realidade, sereno e em paz consigo mesmo.

O Louco agora começa a eliminar velhos hábitos e abordagens antiquadas; excluir tudo aquilo não-essencial, porque aprecia as coisas básicas da Vida. Passa por fins e cortes, quando retira os aspectos ultrapassados da sua vida. Este processo pode ser semelhante a morrer, porque esta é a Morte (lâmina 13) do seu Eu familiar que irá permitir o nascimento de um novo ser interior. Em certas alturas, esta mudança inexorável parece ser esmagadora, mas o Louco eventualmente se levantará para descobrir que a morte não é um estado permanente – é simplesmente uma transição para uma nova e mais concretizadora forma de Vida.

Desde que abraçou o Eremita, o Louco tem andado a balançar num pêndulo emocional – agora, ele descobre a estabilidade oscilante da Temperança (lâmina 14). Encontra o verdadeiro balanço e equilíbrio. Por experimentar os extremos, desenvolve uma apreciação especial pela moderação. O Louco juntou todos os aspectos de si próprio num ser centrado e uno, que emite sinais de saúde e bem-estar. Quão gracioso e suave é o anjo nesta lâmina comparado com o poderoso mas rígido governante no Carro? O Louco viajou um longo caminho até alcançar uma vida harmoniosa.

O Louco tem a sua saúde, paz de espírito e uma compostura graciosa. O que mais precisará? Numa questão do dia-a-dia, não muito, mas ele é corajoso e continua a seguir até aos níveis mais profundos do seu ser. Aí, encontrará o Diabo (lâmina 15).
O Diabo não é uma figura malévola e sinistra que habita ao nosso redor; é o poço de ignorância e desespero perdido dentro de nós, a um nível qualquer. As atractivas seduções do mundo material prendem-nos de maneira tão apelativa, que muitas vezes, não nos apercebemos que dele somos escravos. Nós apenas temos acesso a uma gama limitada de experiência, inconscientes do Mundo glorioso que é a nossa herança. O casal nesta lâmina está acorrentado, mas complacente. Eles poderiam libertar-se tão facilmente, mas não estão apreensivos da sua escravidão. Assemelham-se aos Enamorados, mas desconhecem que o seu amor está limitado a uma pequena extensão. O preço da sua ignorância é um denso desespero interior.

Como é que o Louco se pode libertar a si próprio do Diabo? Poderá ele livrar-se da sua influência? Sim, mas apenas encontrará a liberdade através da abrupta mudança que traz a Torre (lâmina 16). A Torre é a fortaleza do ego que construiu em volta do seu belo centro interior. Cinzenta, fria e dura com um rochedo, esta muralha parece servir de protecção, mas na verdade, é uma prisão.
Às vezes, só mesmo uma crise de proporções monumentais pode gerar força suficiente para arrebentar as paredes da Torre. Nesta lâmina, vemos um grande relâmpago iluminador que atinge este edifício, que vai expulsar todos os ocupantes para fora, caindo para as suas mortes. A coroa indica que esses seriam governantes ostentosos outrora, mas que, agora, se abaixam perante uma força maior que eles mesmos.
O Louco pode precisar de um forte abanão, se quiser se soltar a ele mesmo; porém a revelação resultante pode levar a uma experiência dolorosa mas valorosa. O desespero negro (nigredo) é destruído num instante e a luz da verdade está livre para brilhar.

O Louco está inundado com uma calma serena; a imagem bela da Estrela (lâmina 17) atesta esta tranquilidade. O mulher pintada nesta lâmina está nua, a sua alma não está mais escondida por detrás de numa máscara. As estrelas radiantes brilham no céu límpido, servindo como um farol de esperança e inspiração.
O Louco está abençoado com uma confiança que substitui completamente as energias negativas do Diabo. A fé em si mesmo e no futuro é renovada. Ele está cheio de alegria e o seu desejo é partilhá-la generosamente como resto do Mundo; o seu coração está aberto e o seu amor flui livremente. A paz depois da tempestade é um momento mágico para o Louco.

Que efeito poderia arruinar esta calmia perfeita? Será outro desafio para o Louco? De facto, é a sua alegria que o faz vulnerável às ilusões da Lua (lâmina 18). A sua felicidade é um estado sensitivo; as suas emoções positivas não são ainda sujeitas à clareza mental. Dentro desta sua condição sonhadora, o Louco está susceptível à fantasia, distorção e falsas promessas de verdade.
A Lua estimula a imaginação criativa – abre caminhos para pensamentos bizarros e belos emergirem do subconsciente; porém medos e ansiedades entranhados no ser também estão livres de se soltarem. Estas experiências podem levar o Louco a sentir-se perdido e desorientado.

É a lúcida claridade do Sol (lâmina 19) que direcciona a imaginação do Louco. A iluminação do Sol brilha em todos os lugares escondidos; dispersa as nuvens da confusão e medo. Também ilumina de modo a que o Louco tanto sinta, como compreenda a bondade do Mundo. Agora ele disfruta de uma energia e entusiasmo vibrantes. A franqueza da Estrela solidificou-se numa segurança expansiva. O Louco é a criança nua, retratada nesta lâmina, cavalgando alegremente encarando o novo dia; nenhum desafio é assustador demais. O Louco sente uma radiante vitalidade. Ele envolve-se em grandes empreendimentos, ao atrair para si tudo o que necessita. Ele é capaz de se aperceber da sua grandeza.

O Louco renasceu – o seu falso ego é despido, permitindo que o seu radiante, verdadeiro Eu se possa manifestar. Ele descobriu que a felicidade (não o medo) é o centro da Vida. Sente-se absolvido: ele perdoa-se a si mesmo e aos outros, sabendo que o seu Eu real é bom e puro. Ele até pode arrepender-se dos seu erros passados, mas sabe que são devidos à ignorância da sua natureza. Sente-se limpo e renovado, pronto para começar de novo.
Está na altura do Louco fazer um Julgamento (lâmina 20) sobre a sua vida – o seu próprio dia do juízo final chegou. Como ele agora conhece-se a si próprio verdadeiramente, está capaz de fazer as decisões necessárias sobre o seu futuro. Conseguirá escolher sabiamente que valores deve estimar e quais deve descartar.
O anjo nesta lâmina representa o Eu Superior do Louco, chamando-o para se levantar e concretizar a sua promessa. Ele descobre a sua verdadeira vocação – a razão pela qual entrou nesta vida. Dúvidas e hesitações desvanecem e ele está pronto para seguir os seus sonhos.

O Louco reentra o Mundo (lâmina 21), mas desta vez, com um conhecimento mais completo. Ele integrou todas as porções dispersas dele mesmo e atingiu a plenitude, atingiu um novo nível de felicidade e realização. O Louco experiencia a Vida de maneira completa e sentida. O Futuro é cheio de promessas infinitas. Em seguimento do seu chamamento pessoal, ele torna-se mais activamente envolvido com o Mundo. Ele presta serviço ao partilhar os seus dons e talentos únicos e descobre que, dessa forma, tornará próspero tudo aquilo que atentar. Por causa de agir com uma certeza interior, o Mundo conspira para que todos os seus esforços sejam recompensados – os seus feitos são muitos.

Assim a Jornada do Louco não é assim tão louca, no final. Através da perseverança e honestidade, ele consegue reestabelecer a coragem espontânea que começou por impeli-lo na sua procura do Eu, mas agora está completamento consciente do seu lugar no Mundo. Este ciclo acabou, mas o Louco nunca terminará o seu crescimento. Em breve se aperceberá que está pronto a começar uma nova jornada, que o levará a níveis de conhecimento ainda mais altos.

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Sou uma criatura muito dualista ao ver e saber o Mundo: adoro a arte da Ciência e o misticismo do Espiritualismo, porque acredito que o Universo é a fusão da matemática e da energia do ser. Absorvo tudo desde numerologia à astronomia, astrologia à biologia; mas acima de tudo, o Tarot consegue ser uma nova perspectiva única, bela e misteriosa onde se cruzam os dois mundos. É uma arte de conhecimento e magia capaz de mudar vidas...

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