10 exemplos sobre o que NÃO perguntar ao Tarot

O Tarot pode responder a tudo, certo? ERRADO!

Muitos utilizadores de Tarot acham que basta pensar nas perguntas, baralhar, fazer uma tiragem e «puff» a magia dá-se! Na realidade, todos deveriam ter imenso cuidado quando utilizam o seu baralho de Tarot ou quando consultam utilizadores de Tarot que não possuem o seu código de ética perfeitamente delineado e por ignorância ou sede de dinheiro fazem qualquer tipo de tiragem. Já foi dito inúmeras vezes aqui no seu portal de tarosofia VIMΛNΛ que o Tarot não é uma ferramenta para se levar de forma irresponsável ou com princípios levianos e se o seu papel é, maioritariamente, o auto-conhecimento e a indicação de caminhos com identificação de avisos e problemas, então existem perguntas que NUNCA devem ser feitas pela sua natureza ou resultado. Decidi expor dez perguntas destas a título de exemplo para que se perceba a forma mais saudável de utilização da tarosofia.

1ª Será que pessoa X vai deixar a pessoa Y?

«Será que o meu amante vai deixar a mulher dele?» ou «A minha ‘ex’ vai deixar o namorado?» são exemplos de questões deste género e que muito se ouvem no dia a dia profissional de um tarólogo. Esta ou qualquer outra pergunta sobre a vida de outra pessoa que não está directamente relacionado a si (o consulente). Isto são questões em torno da privacidade de outrém que está a explorar sem a sua permissão… se por um lado o pode fazer, por outro seria bem mais interessante perguntar-se «O que devo melhorar em  mim para que pessoa X veja em mim alguém que vale mesmo a pena?» ou «O que devo fazer para esquecer pessoa Y?». Existe ainda o problema de perspectiva neste tipo de questões, onde a resposta pode ser dura o suficiente para lhe abalar o equilíbrio mental, ou simplesmente não aceitará a resposta porque não está de acordo com a obsessão que nutre nesse momento.

2ª Vou ganhar o jogo X?

«Será que vou ganhar na lotaria?» ou «Vou ganhar o Euromilhões alguma vez?» são questões que eu apelido de ‘estupidamente ridículas’. A lotaria (ou outro do género, até as rifas da quermesse da igreja local) é um jogo de azar e pouco ou nada pode fazer para influenciar a sorte de ganhar (excepto a compra de uma cautela, jogar no euromilhões ou comprar uma rifinha). Se gosta deste tipo de jogo de sorte/azar, deixe isso ao acaso das pequenas bolas coloridas que saltam dentro da grande bola de vidro, em vez de consultar as cartas de Tarot para esse tipo de questão. Não se esqueça que se fosse possível saber isso ou até os números premiados todos os vencedores eram tarólogos (e até hoje não conheço nenhum que o tenha conseguido).

3ª Pessoa X odeia-me?

«Será que meu ‘ex’ me odeia?» ou «A minha vizinha ainda me detesta?» são questões que lidam com emoções negativas pesadas. Costumo dizer que simplesmente falar nelas é alimentar energeticamente a sua intensidade. Ódio é uma palavra tão forte que muitas vezes implica que está a culpar-se alguém como responsável dos seus problemas. E, se tem a resposta como “sim” , o seu ‘ex’ odeia-te, e depois? O que pode fazer em relação a isso? Torna-se insignificante. Em vez disso, concentre-se em perguntas como: «O que eu posso fazer para melhorar o meu relacionamento com uma determinada pessoa?» ou «O que eu preciso melhorar dentro de mim para criar um melhor relacionamento com os outros?»

4ª Quanto tempo ainda vou viver?

«Quando vou morrer?» ou «Quanto tempo vou viver?» além de serem questões incrivelmente mórbidas e denotarem um estado interior desagradável da parte do consulente, esta não é uma pergunta apropriada para o Tarot… o Tarot é concebido como uma ferramenta de ajuda e não há realmente ajuda possível com tamanha inevitabilidade fatal. Saber a resposta não vai ajudar em nada, em situação alguma!

5ª Qual o nome da minha alma gémea?

O Tarot não pode nomear com precisão (sequer aproximada) as pessoas importantes na sua vida (pelo menos não daquilo que sei, e à partida rotularia de charlatão quem o afirmasse). Claro, podemos identificar que tipo de pessoa é a mais adequada para si nos mais variados pontos da vida, mas não vai nomear apenas uma pessoa num planeta de aproximadamente 7 bilhões de pessoas. O mundo é feito de mudanças e, à excepção de nós mesmos, os outros vêm e vão da nossa vida a velocidades estonteantes, então porque se concentrar apenas numa pessoa?

6ª Será que estou grávida?

Vou-lhe contar um segredo: a melhor maneira de saber se está grávida é fazer um teste de gravidez, acessível em qualquer farmácia e por preços bem menores a uma consulta de Tarot decente. As cartas de Tarot não são um substituto para uma visita ao médico. Podemos com o Tarot destacar se há um possível problema ou preocupação, mas visite o seu médico para uma consulta de acompanhamento. Deixe qualquer tipo de diagnóstico, prognóstico, tratamento ou aconselhamento para os profissionais da área médica.

7ª Doença Y na pessoa X, tem cura?

Na onda da resposta anterior, esta ou qualquer outra pergunta especificamente sobre saúde e a saúde de outros deve ser levada perante um profissional competente dessa área. Ninguém contrata um palhaço profissional para o defender no tribunal, ou um tarólogo para prescrever medicação… tudo tem o seu devido lugar! Coisas da saúde em geral possuem um resultado que não pode ser influenciado por si só, por isso, em vez de consultar as cartas de tarot sobre o que vai acontecer, formule a questão sobre o que pode fazer para apoiar a pessoa que necessita de ajuda e maximize as chances de recuperação.

8ª Devo aceitar situação X na minha vida?

Desde «Devo aceitar este emprego?» ou «Devo fazer parceria com a minha amiga neste novo projecto?» são questões aparentemente aceitáveis, mas é expectável de um bom tarólogo, tarósofo ou cartomante que a pergunta seja reformulada de forma saudável para o consulente e para o seu livre-arbítrio. O Tarot NUNCA nos diz o que devemos ou não devemos fazer já que é fundamental que se assumam as responsabilidades das próprias decisões. É melhor reformular e perguntar ao Tarot, «Qual é o impacto/prós e contras, se eu escolher caminho X? “ ou «O que posso esperar, se eu fizer XYZ?». Desta forma, ainda está a fazer a sua decisão mas com o aconselhamento do seu Eu interior sobre a forma da linguagem da tarosofia… não serão as cartas de Tarot a mandar na sua vida já que isso pode abrir um grave precedente.

9ª Quando é que eu vou casar?

Questões deste género não são propriamente terríveis para perguntar ao Tarot, especialmente se se sentir confortável com respostas a perguntas de tempo e se o tarólogo as fizer ou tiver um método apropriado (e testado?) para o fazer. No entanto, o problema com este tipo de questão é que se assume a conjuntura actual para um dado evento no futuro, futuro esse que irá alterar indubitavelmente à medida que o livre-arbítrio dos envolvidos toma procedência. Perguntas de longo prazo ou de futurologia são perda completa de tempo e extremamente perigosas para o tarólogo, tarósofo ou cartomante já que assim que o previsto não tome lugar ninguém se vai lembrar que mudaram as variáveis e irão rotular a tiragem de ‘falsa’. Eu recomendo reformular a pergunta para algo como: «O que eu preciso saber sobre casamento?» ou «Qual é o potencial do meu relacionamento com uma determinada pessoa?».

10ª Vou ganhar o meu processo judicial?

Afirmei atrás que ninguém contrata um palhaço profissional para conduzir os seus afazeres legais. Existem tarólogos e cartomantes que irão certamente aceitar este género de questão, mas pelas razões que acabei de mencionar no ponto 9 e nas questões relacionadas com morte e saúde desencorajo todos a este género de prática. Na maioria dos casos, este tipo de pergunta está completamente fora do seu controlo, às vezes até do juiz ou do sistema judicial que está a lidar com o seu caso. É melhor perguntar ao Tarot o que pode fazer para melhorar as suas chances de sucesso ou o que precisa saber sobre o processo judicial nesse momento. Além do mais, os leitores de Tarot não são tipicamente profissionais da área jurídica e não estão, portanto, em condições de fornecer aconselhamento jurídico. Fique do lado seguro e invista o seu dinheiro em aconselhamento jurídico, em vez de uma leitura de Tarot sobre o tema.

oq1O que constitui então uma boa pergunta?

As melhores perguntas são aquelas que, quando respondidas pelo Tarot, lhe fornecem informações com as quais poderá fazer melhores decisões para si mesmo ou para uma determinada situação. Terá respostas dentro daquilo que pode influenciar ou mudar na sua vida de uma maneira construtiva e positiva. Boas perguntas são muitas vezes aquelas que falam abertamente dos nossos problemas cruciais, proporcionando ‘espaço’ para explorar diferentes opções e possibilidades. Mas são também detalhadas e específicas, permitindo concentração e direcção.

Boas perguntas são aquelas que falam sobre si mesmo, em vez de falarem dos outros. Criam um sentimento de responsabilidade, reforçando que tem livre arbítrio e pode realmente moldar o seu próprio destino.

Consulte, neste tema, a excelente intervenção da minha colega no artigo É importante formular correctamente as questões!

Mário Portela

Sobre

Sou Guia Kármico, Terapeuta de Vidas Passadas, NLP Practitioner, Bach Flower Remedy Certified e utilizo com frequência um sem número de terapias e ciências esotéricas como a numerologia, o tarot, a leitura de aura e a cristaloterapia.

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